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Nutrição canina e os benefícios de uma dieta equilibrada para a saúde do cão.

Thalles Ribeiro Gomes
Zootecnista/Doutor em Zootecnia

 

Nutrição canina e os benefícios de uma dieta equilibrada para a saúde do cão

 

nutrição animal é definida pelo conjunto de processos que vão desde a ingestão de alimentos até a assimilação dos nutrientes contidos nos alimentos, usando-os para seu crescimento, manutenção ou reparação dos tecidos corporais.

Os cães dependem exclusivamente de seus donos para obterem uma dieta diária balanceada, desta forma, oferecer um alimento de qualidade para esses animais é de fundamental importância para otimizar o sistema imunológico desses animais, restabelecendo as funções celulares e mantendo um equilíbrio da microflora intestinal, que age como uma barreira contra patógenos.

Eles necessitam de uma nutrição completa e equilibrada, com oferta de nutrientes em quantidades adequadas para cada fase da vida, de acordo com a idade e o porte desses animais, pois uma ingestão inadequada de nutrientes como proteínas, vitaminas, minerais e lipídeos, resulta em um déficit ou excesso no aporte de nutrientes junto às células, ocasionando assim um aumento da predisposição a problemas como obesidade, crescimento acelerado, distúrbios esqueléticos, desenvolvimento inadequado de ossos, músculos, pelos e uma diminuição das funções imunológicas, deixando o organismo mais susceptível a infecções.

Além do porte e da idade, o ambiente em que o animal será criado, se esse animal é portador de algum tipo de necessidade especial e até mesmo a raça desse animal devem ser levados em consideração antes de escolher o alimento correto para ele, bem como considerar o estilo de vida desses cães. Animais ativos fisicamente requerem diferentes proporções de proteínas e lipídeos em suas dietas, diferentemente de cães sedentários ou com baixo nível de atividade física. Os nutrientes que os animais necessitam e as quantidades mudam também com a presença de fatores especiais como a obesidade, alergias, sensibilidade alimentar e outros problemas de saúde, que, tanto podem criar a necessidade de uma ração com restrição ou redução de alguns ingredientes; quanto a utilização de ingredientes especiais.

Atualmente existe uma grande oferta e variedade de alimentos e rações para cães, comercializados no mercado, o que torna uma tarefa difícil em se definir qual a ração ou alimento ideal para o seu cachorro. Apesar do que o rótulo possa ostentar, alguns desses produtos não são uma boa fonte de nutrientes para o seu cão.  Ou seja, algumas rações trazem em suas embalagens a expressão “alta proteína”, sendo que é possível formular uma dieta para cães com altos níveis de proteína mas com alimentos de baixo índice de digestibilidade (farelo de soja, farinha de penas, couro, cascos ou chifres), onde o trato gastrointestinal do cão é incapaz de quebrar as moléculas de proteína em aminoácidos e, em seguida, absorver e utilizar esses aminoácidos, tornando essa dieta pouco útil para o cão, aumentando assim a quantidade de fezes expelida.

Então é necessário ler atentamente o rótulo e constatar se a fonte de proteína é digestível, dando sempre preferência a produtos de origem animal como ovos, carnes frescas, vísceras, e derivados do leite, por possuírem um maior valor de digestibilidade. Esses ingredientes devem aparecer sempre em primeiro lugar (ingrediente em maior quantidade na fórmula) e em mais de uma vez na lista de ingredientes, sempre evitando produtos que apresentem algum tipo de subprodutos na formulação, tanto de carnes como de grãos de cereais. Devemos também dar preferência a alimentos livre de conservantes ou que utilizem conservantes naturais como tocoferóis (vitamina E) e vitamina C, ou antioxidantes como extrato de alecrim. Evitar a adição de edulcorantes, conservantes artificiais tais como BHA, BHT, etoxiquina, propileno glicol, sabores artificiais e corantes.

É preconizada a utilização de nutracêuticos e alimentos funcionais, ou seja, ingredientes ou aditivos, que, além das funções básicas de alimentação, produzem efeitos metabólicos e fisiológicos benéficos à saúde do animal, com o objetivo de prevenir ou reduzir os riscos do desenvolvimento de doenças ou até mesmo, auxiliar no tratamento das mesmas, melhorando as condições de saúde desses animais. De uma maneira geral, esses componentes da dieta são usados com o objetivo de favorecer a saúde do organismo, a resposta imunológica, as condições de pele e pelagem, a composição corporal e prevenir os danos decorrentes do envelhecimento, doenças degenerativas, além de auxiliar nas funções orgânicas em animais doentes criando um efeito de “fortalecimento” do sistema imune, sendo interessante esta utilização, mesmo em animais saudáveis, contribuindo para o seu bem-estar.

Muitos alimentos comerciais para cães já utilizam leveduras em suas formulações e sua principal função seria a de agir como um prebiótico, alterando positivamente a microbiota intestinal, promovendo o aumento de bactérias benéficas em relação às patogênicas, tendo efeitos também sobre o sistema imune, auxiliando na resposta contra infecções.

Ácidos graxos insaturados do tipo ômega 3 e 6, encontrados no óleo de peixe e nas sementes de linhaça, estão sendo bastante utilizados tanto como ingrediente nas rações como também na suplementação de cães, por seus efeitos potenciais como cardioprotetor, ação sobre o desenvolvimento neurológico, estrutura e função da retina, modulação da resposta inflamatória, controle de proteinúria e da progressão da doença renal, alívio da dor associada a artrites, controle da inflamação cutânea em processos alérgicos e até no combate ao câncer.

Compostos antioxidantes, como o ácido ascórbico, a vitamina E, carotenóides e oligoelementos (cobre, ferro, zinco, selênio e manganês), atuam em diversas e importantes funções do organismo,  tais como no sequestro de radicais livres, e  na prevenção da oxidação dos ácidos graxos poliinsaturados das membranas celulares, atuando, ainda, fortemente, com função imunorreguladora. Com isso sua inclusão ou suplementação na dieta de cães irá propiciar um importante papel na modulação da imunidade, reduzindo o risco do surgimento de tumores e retardando os efeitos do envelhecimento.

Determinadas raças de cães apresentam predisposições ao surgimento de determinadas doenças o que gera a preocupação dos nutricionistas em formular rações específicas para esse grupo de animais, mediante a utilização de ingredientes que reduzam esses problemas, como é o caso da inclusão de condroitina e glucosamina em rações para animais de grande porte ou para determinadas raças, que apresentem predisposição ao surgimento de problemas articulares. A glucosamina e a condroitina são componentes básicos da cartilagem e do líquido sinovial, mas que podem a certo momento estar em quantidades muito baixas por desgaste articular e a sua suplementação se faz necessária para assegurar a qualidade e melhorar o metabolismo articular.

Alguns ingredientes atuam como coadjuvantes da saúde bucal canina, como é o caso dos sais de sódio, bastante utilizados em muitas pastas de dentes para humanos com o intuito de melhorar a higiene oral. Em rações para animais, esses sais são incorporados juntamente com engorduramento dos croquetes, para facilitar sua liberação durante a mastigação e promover seu contato com o cálcio presente na saliva, evitando a mineralização da placa bacteriana, reduzindo a formação dos depósitos de tártaro dentário.

Esse conceito de nutrição animal equilibrada apresenta-se em constante evolução permitindo, cada vez mais, a escolha de um produto diferenciado, indo muito além de apenas fornecer um alimento ao animal e sim promovendo uma melhora na saúde e no bem-estar desses animais, maximizando a qualidade e a expectativa de vida, bem como reduzindo os riscos de doenças.

Referências Bibliográficas:

CASE, L. P.; CAREY, E. P.; HIRAKAWA, D.A. Nutrição canina e felina: manual para profissionais. Madrid: Harcourt Brece, 1998. 424p.

Dog Nutrition for a Healthy Coat: http://pets.webmd.com/dogs/guide/dog-nutrition- for-a-healthy- coat

Does Your Pet Have Allergies or Is It Something Else? http://healthypets.mercola.com/

Lomax, AR; Calder, PC. Prebiotics, immune function, infection and inflammation: a review of the evidence. British Journal of Nutrition; VOL 101; NUMB 5; pp. 633-658;
14 Mar 2009.

Zaine, L. et al. Nutracêuticos imunomoduladores com potencial uso clínico para cães e gatos. Semina: Ciências Agrárias, Londrina, v. 35, n. 4, suplemento, p. 2513-2530, 2014.

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