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Entrevistamos o Handler Celso Schneider

Cinofilia-BR  –   A p a i x o n a d o s   p o r   C ã e s 

Entrevistando Celso Schneider 

Titular do Canil | Bangor Show Dogs 

 Onde | EUA 

Por quê |   Os Estados Unidos têm a cinofilia mais profissional do mundo. Aqui um bom profissional é reconhecido. Além disso, são-lhe oferecidas possibilidade de crescimento técnico e competição sempre em alto nível. É um outro nível de organização. Aqui estamos sempre em contato com criadores que conhecem muito, e a quantidade de conhecimento estimula o crescimento profissional. 

 

E n t r e v i  s t a

 

Cinofilia-BR: Como se deu seu envolvimento com os cães? Qual a raça na qual iniciou?
Celso – Meu envolvimento data dos meus 12 anos de idade, quando, tendo morado em um apartamento, mudamo-nos para uma casa. Naquele momento decidimos adquirir um cão.  Após extensa pesquisa, decidimo-nos pela raça Setter Irlandês.
Inicialmente adquirimos um filhote macho, e, pela dedicação que tivemos com ele, a proprietária do pai daquele filhote, um multi-campeão chamado Ecco di Negi, ofereceu-nos o mesmo, já que ela, mudando-se para um apartamento, não poderia mante-lo.
Dessa maneira começamos a frequentar as exposições, sendo que logo em seguida meu pai contratou o famoso Jayme Martinelli para apresentar o Ecco nas exposições.
De tanto observar o Jayme nas exposições algum tempo depois eu passei a auxilia-lo, e dai a tornar-me um handler profissional foi um passo. 

 

Celso com o Fox Terrier Pelo Duro vencendo BIS SICASUD 87. Refan’s Rainy Day Man.

Cinofilia-BR – Quanto tempo de desempenho profissional na qualidade Handler até agora? Um momento especial durante o seu tempo de Profissão?
Celso  São 43 anos de atividade profissional. Muitos momentos foram especiais, assim como vários cães foram e são especiais para mim. Ganhar exposições importantes, como o Festival do Cão do KCP,  Sicasud,  Sicalam e Campeões da América, obter títulos de campeões mundiais na Europa e nas Américas representam algo muito importante para mim. Todavia, ter o reconhecimento de um trabalho bem feito por parte de criadores, juízes e clientes isso sim é mais que especial para mim. 

GCh Sondra Rose Shine Like a Star of Kylin

 

Cinofilia-BR – Como é o dia-a-dia de um handler nos Estados Unidos da América? Algo de diferente que deseje assinalar?
Celso  Hoje moro nos Estados Unidos, em Illinois, a 45 minutos de Chicago.  Participo de exposições no Midwest americano, uma região de muita tradição cinófila nos EUA. Eu pessoalmente tomo conta dos cães sob minha responsabilidade, fazendo-lhes trimming, treinando-os e lhes controlando a alimentação. Possuo um canil muito confortável e com ampla capacidade de condicionamento dos cães.
As inscrições dos cães são efetuadas sempre três semanas antes dos eventos. Durante a semana é feito o preparo dos cães. Saio para viajar um dia antes do início das exposições, que podem ocorrer num final de semana (sábado e domingo), ouclusters, com maior número de dias.

Cinofilia-BR | Como você vê os recintos de exposições caninas? E no tocante à atuação dos árbitros nessas exposições? Poder-se-á contar de fato com imparcialidade!

Celso  Posso opinar sobre os recintos nos EUA. Aqui, em sua maioria, os recintos são excelentes, contando com ringues amplos e bem montados; locais com estrutura sanitária e área de alimentação. Porém, é importante salientar que toda a estrutura montada é voltada para o evento.  Cada handler deve se encarregar de ter a sua própria estrutura, para servir à sua necessidade, ou seja, nem todos os locais possuem eletricidade ou área coberta, especialmente em exposições ao ar livre, e cada handler deve ter o seu gerador, além das barracas para bem executar suas tarefas. Nada disto é surpresa aqui, já que todas as condições da exposição estão expressas no Premium List, que seria uma circular supercompleta, com todas as informações sobre a exposição.
Se não acreditarmos que os árbitros atuam com imparcialidade não teríamos razão de irmos às exposições. Aqui nos EUA temos a opção de inscrevermos os cães por exposição individual, não sendo obrigatória a inscrição em todas as expos do circuito. Assim, se a atuação de algum juiz não interessar, não inscrevemos o cão na exposição na qual ele irá atuar. Isto seleciona e ajuda no incentivo à imparcialidade. 

Am. GCh Don’t Let Me Down de Br Maiorca | George RBIS Steel City Small

Cinofilia-BR | Quais os principais motivos que o levaram a morar fora do nosso país?
Celso  Os Estados Unidos têm a cinofilia mais profissional do mundo. Aqui um bom profissional é reconhecido. Além disso, são-lhe oferecidas possibilidade de crescimento técnico e competição sempre em alto nível. É um outro nível de organização. Aqui estamos sempre em contato com criadores que conhecem muito, e a quantidade de conhecimento estimula o crescimento profissional. 

 

Cinofilia-BR |  Quantos Best in Shows na carreira o amigo possui como profissional?
Celso  Nunca contei quanto Best in Shows já ganhei na minha carreira, mas certamente algumas centenas já conquistei. 

 

Am GCh, Eng, Ir, Bel, Lux, Int Ch Kebulak Kiss This | Romeo Gr1 Kenosha KC Jon Cole

Cinofilia-BR – Diga-nos cinco coisas que você gosta na cinofilia?
Celso  Convivência com os cães; ter meu trabalho reconhecido; acreditar em algo que realizo e ver o que acredito acontecer, além da troca de informações técnicas e a competição em si. 

 

Cinofilia-BR | Sabemos que além da atividade de handler, você também é criador. Como você concilia a criação e o lado profissional como handler?
Celso – Hoje eu possuo Pointers Ingleses. Não crio tanto quanto eu gostaria. O lado profissional absorve muito tempo e dedicação, mas mesmo assim continuo envolvido na criação. 

GCH Mi’Wee Cornerstone KC Caballero | KC BOB Chain O Valley Pat Trotter

 

Cinofilia-BR | É importante ser handler (ter a atividade de handler como profissão) para poder apresentar cães? Que dicas você nos daria?
Celso – É importante conhecer seu cão e a raça que apresenta. O profissional tem de ter a capacidade de estar presente em um número maior exposições, portanto, fazer um maior número de vitórias. Uma maior frequência às exposições faz com que o profissional tenha uma maior prática. Todavia, isto não quer dizer que um criador ou proprietário não possa também apresentar seus cães em excelente nível. 

 

Cinofilia-BR – O que você gostaria de ver mudar na cinofilia em geral?
Celso  Gostaria que a Cinofilia se tornasse ainda mais popular. Aqui nos EUA existe uma boa popularidade, infelizmente no Brasil não existe essa divulgação. Além disto, se falarmos de Brasil, muita coisa deveria mudar na cinofilia. Para começar a maneira como um campeonato é obtido. O Brasil talvez seja o único país em que um cão pode ser um Grande Campeão sem nunca ter vencido um único cão. Isso para mim é um contra-senso.  

 

Cão melhor do Brasil | Am.Ch.,Braz. GrCh, Int. Ch. Glendee’s Stone Cutter

Cinofilia-Br – O que você mais gosta da cinofilia nos EUA?
Celso – Aqui as coisas funcionam, tudo é mantido sob controle. As expos têm a supervisão de representantes do AKC. O que estiver errado tem a possibilidade de ser reportado a uma autoridade, que está presente para assegurar que os regulamentos estão sendo cumpridos.
As inscrições são feitas com antecedência e isto possibilita uma melhor organização.
O nível de competição é outra coisa que faz a diferença. Qualquer vitória vale a pena, pois a competição existe e é de alto nível. 

 

Cinofilia-BR – Quais as principais diferenças entre as exposições americanas e as brasileiras?
Celso  Sem comparação. São dois mundos completamente diferentes. Seria como comparar a NBA e o basquete no Brasil. Aqui tudo é profissional, a superintendência é profissional, tudo é organizado, tem horário e não se muda o horário divulgado, não existe necessidade de microfone, não se espera por ninguém, cada um sabe da sua responsabilidade e faz a sua parte. 

 

Am.GrCh. Col Ch Halcar Jasper Stone | Jasper Fox River Valley KC BOB Dawn Hansen

Cinofilia-BR – Você acha que poderíamos ter um grande evento anual aqui no NE (Brasil)? Exemplo: Nove Exposições Internacionais além de especializadas; feira de filhotes; stands de vendas de carros e de outros produtos, e ainda uma boa parceria com uma empresa aérea, no sentido de otimizar o transporte de pessoas e de animais convergindo para esse evento? 
Celso – O NE poderia ter um grande evento, sem dúvida. Mas tenho dúvidas quanto à necessidade de um grande número de exposições para se fazer um grande evento. Acho que 3 exposições no mesmo dia é um exagero, sendo extremamente cansativo. Duas expos no máximo por dia é mais que o suficiente. 

 

Cinofilia-BR – Como você explicaria o fato de, no Brasil, nunca conseguirmos exposições ao menos num nível próximo das exposições que ocorrem nos Estados Unidos, seja em número de inscrições, seja no que respeita à qualidade canina?
Celso  No Brasil não temos a quantidade de criadores que os EUA possuem, além do que a atividade cinófila nos EUA é muito mais completa. Não raro aqui (nos EUA) um criador – não só apresenta seu cão em expos de beleza, como também pratica alguma atividade de acordo com a função da raça que ele cria.
A quantidade de atividades caninas é imensa, a saber: caça, obediência, agility, barn hunt, lure coursing, dog dive, herding, rally e por ai vai. No Brasil poucos criadores fazem mais do que levar seus cães às exposições.
Além do que considero que existem exposições demais no Brasil, os campeonatos são fáceis demais, não existindo uma exigência maior para obtê-los.
Outro ponto a considerar é a quantidade e a qualidade genética que os EUA têm, e que no Brasil não temos. Isto reduz a capacidade brasileira de aumentar a qualidade da sua criação. 

Am e Br Ch. Indio das Colinas de Holambra | Indio Gr4th Rock Island Patricia Trotter

Cinofilia-BR – Já estou no mundo da cinofilia desde 1986. Desde então tenho visto lindos animais, mas, sempre me perguntei: Como os criadores fazem para obter animais tão belos? Como eles conseguem ninhadas homogêneas? Creio que outros apaixonados por cães também gostariam de saber. Então pergunto: Como um Criador/handler pode ajudar um outro criador a ter sucesso em sua criação?
Celso – um Criador/Handler pode ajudar na orientação dos acasalamentos e na avaliação dos cães. No nosso caso, a experiência possibilita isto: orientar qual caminho a seguir e ajudar na escolha dos animais.
Eu não considero uma ninhada homogênea como uma boa ninhada. Para mim uma ninhada boa é aquela da qual resulta aquele filhote que você é capaz de apontar como o melhor facilmente. Uma ninhada homogênea terá animais regulares, similares uns aos outros; uma ninhada desigual pode ter aquele cão especial que tanto procuramos. Este não nasce em ninhadas  homogêneas.  

 

Am. and Braz. Ch. Telltale Casanova “Rudy”.jpg
Apresentando cães no Brasil

Cinofilia-BR – Fale um pouco sobre o seu sistema de manejo, condicionamento dos cães e cuidados, já que – na qualidade de handler profissional – pode ter a posse e guarda temporária de animais, que ficam sob sua tutela?
Celso – Tudo é cuidado nos mínimos detalhes, seja na alimentação, seja no planejamento de treinamento, tanto muscular como de pista, seja na qualidade das acomodações,  para proporcionar um bem estar emocional aos cães.
Eu cuido dos cães como se fossem meus. Pessoalmente eu acompanho os cães diariamente. Cada cão tem a sua particularidade e esta deve ser respeitada, o cão deve sempre estar feliz, bem alimentado e sem estar exposto a excessos.   

 

Cinofilia-BR – Sabendo que uma boa fotografia ou vídeo vende um animal, até que ponto mexer ou não na fotografia é importante? E se isso acontecesse você, na qualidade de Agent/Handler,  informaria ao seu cliente ou comprador  que a foto do cão seria meramente ilustrativa?
Celso – Não gosto de fotos com ampla utilização de Photoshop. Não mandaria uma foto assim a um comprador, seria desonesto. 

 

Cinofilia-BR | É importante se especializar na apresentação de uma única raça ou não? É possível apresentar bem raças diversas?
Celso – As duas coisas podem ser feitas com qualidade. Tudo depende da capacidade de cada profissional.

 

GCh. Flashfire Hit Me With Your Best Shot – Westminster 2017

Cinofilia-BR – Quantidade é ter qualidade? Como você trabalha com sua clientela e seus atendimentos com os cães de clientes nesse sentido?
Celso – Qualidade é um trabalho bem feito. Não tem nada a ver com quantidade. Cada cliente para mim é especial, assim como o seu cão. Tudo é feito com honestidade e transparência. Cada resultado é informado, assim como a performance do cão e suas reais possibilidades, de modo que não haja nenhuma desilusão em relação aos resultados. Meus clientes acabam se tornando meus amigos, já que esta é a relação que queremos, e eles sabem o quanto nos dedicamos aos cães sob nossa responsabilidade, confiando, portanto, no nosso trabalho.

Cinofilia-BR – Agradecemos por sua imensa contribuição e ampla respostas ao nosso questionário. Obrigado.
Celso – Agradeço a oportunidade de poder conversar com o amigo através deste importante veiculo de comunicação cinófilo e poder transmitir aos seu eleitores um pouco da minha experiência.
Um grande abraço a todos no Brasil e me coloco a disposição de todos no que necessitarem na cinofilia americana.
Abraços, Celso.

Na foto Celso, Dylan e Eli Foto by Edmilson Reis

 

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