Home > Entrevistas | Handlers > Entrevistamos Júnio Sisinano

Entrevistamos Júnio Sisinano

Cinofilia-BR  –   A p a i x o n a d o s   p o r   c ã e s

 

Quem| Júnior Sisinano.

Onde| Natal – Rio Grande do Norte.

Por que| Um dos mais importantes Handlers do Estado do Rio Grande do Norte. Aquele que por longos anos contribuiu significativamente para as grandes vitórias da Cinofilia no Estado, além de ser um profissional – não só preocupado com o seu trabalho, mas que procura ir além, constituindo-se num verdadeiro amigo.

 

E N T R E V I S T A

 

Cinofilia-BR – Como se deu seu envolvimento com os cães? Qual a raça na qual iniciou?

Júnior – Nas exposições eu iniciei com o meu primeiro cão – um Collie de pêlo longo. Já no que respeita a criação, comecei com a raça Doberman, a qual conheci por meio de José Arnaldo e Jocelino Mola.

Cinofilia-BR – Como eram as exposições no seu inicio de carreira aqui no NE? Trace, por favor, um panorama até os dias de hoje.

Júnior – Eram poucas as exposições, àquela época. As que ocorriam eram realizadas em quadras, no bosque dos namorados, isso em 1986, quando iniciei. Desde então, as exposições foram evoluindo, foram-se modernizando, Kennel’s foram criados, com suas sedes, que ajudam muito. Veja, por exemplo, que antigamente para ser juiz bastava ser auxiliar de pista três vezes. Hoje tem que fazer provas e estudar.  Assim tudo veio a melhorar!

9

Cinofilia-BR – As exposições costumam ser realizadas em diversos períodos do ano, em cidades também diferentes, de modo que acaba a da cidade “A” e já na semana seguinte ocorre a da cidade “B”, e assim por diante. Isso obriga muitos profissionais a pernoitar no local das exposições. Todavia, em muitos desses locais a infra-estrutura nem sempre é otimizada, de modo a garantir um conforto mínimo aos profissionais, que necessitam de sua boa forma física para apresentar bem os animais que trazem e assim proporcionar a todos uma festa bonita. Então, Cinofilia-BR indaga: quais os requisitos mínimos que um espaço precisa reunir para que nele possa ser albergado um bom evento cinófilo? Defenda sua classe, mostre seus argumentos.

Júnior – Em primeiro lugar, os dirigentes dos Kennels e promotores de eventos devem ter em mente que os Handlers fazem parte do show. Então, banheiros limpos, são o mínimo que podem oferecer, além de locais seguros para nós, que geralmente chegamos pela madrugada. No quesito Alimentação, os locais das exposições também deixam a desejar. Infelizmente, chegamos em locais de exposições nos quais não há uma lanchonete ou algo do tipo. Ora bem. Nós vamos trabalhar o dia todo. Fazemos de tudo para levar e fazer um bom show. Então, uma estrutura adequada, um espaço  para acampamento no qual caibam todos e um local para preparação dos cães, é o mínimo que merecemos.

Cinofilia-BR – A cinofilia do NE evoluiu Júnior? No sentido amplo.

Júnior – Houve uma melhora nos últimos anos. Porém, a cada ano deve haver uma melhora.

7

Cinofilia-BR – Com é ser um Handler All-Breaders?

Júnior –  Confesso que chega a ser complicado. Porém, tenho buscado driblar os desafios, muitos deles representados pelas viagens longas e cansativas. No final, a paixão pelo que faço, e os resultados bons que acabo levando para casa, fazem com que as dificuldades sejam esquecidas e a minha profissão, a cada dia, mais amada.

Cinofilia-BR – Quantos Best in Show’s  tem na careira?

Júnior – Em minha carreira tenho em média de 60 a 70 Best in Show’s. Aqui em Natal há poucos criadores, muitos o fazem por robby.  Mas a verdade é que na atualidade vemos mais e mais criadores com interesse em ter seus cães em exposições.

2

Cinofilia-BR – O que você gosta e o que não gosta em cinofilia?

Júnior – Gosto das amizades, das brincadeiras e companheirismo nas exposições. Gosto de podermos nos divertir ao lado dos proprietários dos cães, de ver a felicidade deles ao terem seus cães ganhando prêmios; ganhando reconhecimento. O que não gosto, infelizmente, é de ver dirigentes de Kennel’s fazendo mau uso do seu cargo, exorbitando os limites do seu cargo, que é temporário. O Kennel não passa de uma associação, como qualquer outra, e algumas melhorias sempre podem ser feitas. Veja que muitas sedes de Kennel’s estão em locais ruins, de difícil acesso etc… Desses aspectos eu não gosto.

Cinofilia-BR –  Algum sonho a realizar em cinofilia?

Júnior – Não. Só desejo uma Cinofilia mais justa e honesta!

Cinofilia-BR –  Em que lugares, seja Brasil, seja no exterior, já chegou a trabalhar? Gostaria de trabalhar em algum lugar em especial?

Júnior – No Nordeste quase todo, e em boa parte do Sudeste, já trabalhei. Na verdade, sou muito satisfeito com os lugares onde trabalho.

4

Cinofilia-BR – Os handlers costumam ser amigos entre si. Sabemos que há inúmeros profissionais de alta qualidade em nossa cinofilia.  Como você vê a relação interpessoal dos handlers?

Júnior – Infelizmente, vêem-se na atualidade muito Handlers que querem ser melhores do que os outros. Apesar de tudo, eu busco sempre ter boas amizades com todos. Hoje comemoro amizades iniciadas ao mesmo tempo da minha carreira na Cinofilia.

Cinofilia-BR – Ainda falando de relacionamentos, que dicas você daria para os novos profissionais que estão chegando ao mercado?

Júnior – Buscar conhecimento, estudar as raças, se qualificar e fazer um trabalho honesto, com profissionalismo.

Cinofilia-BR – Nos eventos a que compareceu houve algum incidente engraçado ou embaraçoso, cuja lembrança queira partilhar conosco?  Algum mico?

Júnior – Sim. Vários. Num desses, em particular, ganhei com um Fox Terrier Pêlo liso. Na ocasião, o brinquedo que eu usava acabou batendo na cabeça do juiz, que não qualificou meu cão.

Outro caso que compartilho, que é engraçado, era quando o grande URBANO SENA chegava com o seu óleo de jojoba, aí, o pessoal comprava tudo(RS..), tinha criadores, que já tinha mas de 5 litros em casa, mesmo assim, compravam mas com medo de URBANO não classifica os cães deles, eu ficava vendo e e ao mesmo tempo rindo.
Perceba como já naquela época, as pessoas faziam de tudo pra ganhar alguma coisa em cinofilia, isso era hilário!!!!

Cinofilia-BR – Um cão que nunca irá esquecer e por quê?

Júnior – Tive vários. Lembro de todos. Porém, sobre um deles em particular, um Golden Retriever – tenho a história de, com ele, no Brasil, ganhar o primeiro Best in Show da raça. Foi um marco para raça e para a minha carreira.
Outro animal magnífico que não posso deixar de mencionar, o Pug Dourado, foi um cão nasceu aqui no canil fui fazer o cruzamento em Maceió nasceu, escolhemos onde ele fechou todos os títulos, fomos o melhor Pug Norte-nordeste o melhor cão do nono grupo e o segundo melhor do Brasil foi um super resultado pra um que nasceu no nordeste, e para nós que somos de uma região onde a raça ainda estava se consolidando sim ele marcou.

3 10

Cinofilia-BR – Conte-nos mais um momento marcante em sua carreira como Handler Profissional?

Júnior – Foi quando – com um American Staffordshire o mesmo foi reconhecido o Número 1 do Brasil; o melhor Terrier do Brasil, e o oitavo cão do Brasil, entre todas as raças.

Cinofilia-BR – Como é o dia-a-dia de um Handler?

Júnior – Muito trabalho, dedicação e muito treino com os cães. E também muito lazer, afinal não é só trabalho, eles também merecem o melhor, em face da alegria que nos dão.

Cinofilia-BR – Você acha que o Nordeste comportaria um evento anual de grandes proporções? Algo como, por exemplo: cerca de nove Exposições Internacionais; exposições especializadas; feira de filhotes, stands de vendas de carros e de outros produtos, e ainda uma parceria com alguma empresa aérea, no sentido de otimizar o transporte de pessoas e de animais, convergindo para esse evento?

Júnior – Sim, com certeza. Na minha opinião, a melhor exposição do Nordeste é a promovida pelo KCECE, e que tem uma estrutura maravilhosa, apresentando melhorias a cada ano. Creio que daqui a algum tempo, não muito distante, um evento com essas características será possível.

Cinofilia-BR – Desde os idos de 1986, tempo das nossas primeiras incursões no mundo cinófilo, são vistos lindos animais. Cinofilia-BR sempre se pergunta: Como os criadores fazem para obter animais tão belos? Como eles conseguem ninhadas homogêneas? Creio que outros apaixonados por cães também gostariam de saber. Cinofilia-BR então indaga: Como um handler pode ajudar um criador a ter sucesso em sua criação?

Júnior – Escolhendo junto com o criador os melhores cães dentro das melhores linhagens. Com isto, os planteis serão melhorados na mesma proporção. Noutras palavras: devem-se escolher os melhores cães da ninhada, estudar a raça adotada, as qualidades e defeitos de seus cães, para então poder formar sempre uma nova geração, cada vez mais aprimorada.

Cinofilia-BR – Sabendo que uma boa fotografia ou um bom vídeo ajuda a vender um animal, até que ponto mexer ou não na fotografia ou no vídeo é importante? E se por acaso isso acontecesse, você – na qualidade de agent/handler do cão, cuja foto/vídeo tenha sido mexida/o –  informaria o fato ao seu cliente, ou ao  comprador respectivo?

Júnior – Bruno: hoje em dia, com a modernização, os cães de ‘Revista’ são lindos em fotos, enquanto ao vivo são outros cães, completamente mexidos. Com toda a certeza avisaria ao meu cliente, sim. Na verdade, sempre aviso que peçam vídeos, em vez de fotografias. Isso se dá, porque querendo ou não em uma foto sempre buscam o melhor ângulo e em alguns casos mexem ao extremo no cão. Quando não se tem como ver o cão, digamos “pessoalmente”, creio que um bom vídeo sempre oferecerá mais segurança quanto às características que o cão realmente tem.

6

Cinofilia-BR – Júnior: tenho visto seus questionamentos, e pensamentos em cinofilia. São pontos de vista – no entendimento de Cinofilia-BR – valiosos e apropriados. Já pensou em ser um dirigente em Cinofilia? O que você, acha de handlers como Dirigentes? Seria uma ótima Receita?

Júnior – Pessoalmente, nunca me vi como um dirigente. Porém, não há como negar, um Handler sabe do que precisamos. Então, acredito que um Handler cobriria melhor nossas necessidades, porque é ele que está ali, no centro de tudo. Portanto, seria muito mais vantajoso como dirigente do que alguém que não vive literalmente nosso dia a dia.

Cinofilia-BR – Gostaria de agradecer por sua atenção com o nosso meio de comunicação. Obrigado.

Júnior – Eu agradeço a oportunidade, e também por o meu trabalho ter sido lembrado. Você é um amigo de vários anos, e fez com que esta entrevista viesse a acontecer.

Você pode gostar dessas matérias
KCEPI – Kennel Club do Estado do Piauí 15-04-2018
KCEPB – Kennel Club do Estado da Paraíba 18-03-2018
KCEPB – Kennel Club do Estado da Paraíba – Social
Instalações do Canil ou Gatil