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Entrevistamos Jayme Martinelli

Cinofilia-BR – A p a i x o n a d o s   p o r   C ã e s
Enrevistando| Jayme Martinelli
Onde| São Paulo

Onde | São Paulo – Brasil

Por quê| Simplesmente porque é sem sombra de duvida um grande ícone de nossa cinofilia Brasileira, seja como handler, seja como criador, seja como Juiz. De fato, Jayme Martinelli, Criador do Pent Kennels, é um nome importante para a cinofilia Brasileira. Por outro lado, o Sr. Jayme também tem sido responsável por significativas importações, uma vez que sempre procurou trazer excelentes exemplares para o nosso país.

Lembro de quando do meu início, como amador, na cinofilia, costumava ver fotografias do ora entrevistado com os animais de sua propriedade. Recentemente, abrindo um livro da raça Pointer, a qual aprecio muito, revi muitas fotos suas. Foi bom rever aquele livro, que andava um tanto esquecido na prateleira de casa.

E N T R E V I S T A

C-BR – Como você começou em Cinofilia?

JM – Iniciei na Cinofilia, no ano de 1949, em uma Exposição realizada pelo Kennel Clube do Rio Grande do Sul, levado por meu Pai, Jordano Martinelli, criador na época da raça Pastor Alemão .

 

C-BR – Quando decidiu ser árbitro e por quê ser árbitro?

JM – Decidi ser Árbitro há muito tempo, por influência de minha esposa, Evelina Martinelli.

 

C-BR – Como árbitro já julgou em muitos lugares. Qual o que mais lhe chamou a atenção e por quê?

JM – Julguei em diversos Países do mundo; o que mais me chamou a atenção foi uma Exposição Internacional em Tóquio, a que compareci juntamente com inúmeros outros Árbitros de diferentes Países.

O que mais me chamou atenção, naquele circuíto, foi quando, num auditório com muitas pessoas presentes, inclusive todos os Árbitros daquele evento, houve a final de uma competição de Grooming e Trimming de diversas raças, organizada pelo Japão Kennel Club.

 

C-BR – Qual a sua opinião sobre a crítica Cinófila que existe no Brasil?

JM – Como dirigente que fui durante muitos anos, inclusive da CBKC e Presidente do Kennel Clube Paulista, creio que um dirigente não consegue agradar a todos os cinófilos.

 

C-BR – Como você analisa a nossa cinofilia no tocante aos eventos, organização e julgamentos. Como melhorá-la para o futuro?

JM – Nossa Cinofilía, no tocante aos eventos, organização e julgamentos, creio que houve um crescimento visando sua melhoria e modernização.

C-BR – Qual o seu grande momento na cinofilia como árbitro? Há algo que queira compartilhar com todos?

JM – Foi quando julguei por dois anos seguidos, a Exposição Internacional de Bolonha, terra em que nasceu meu avô.

C-BR – Quando começou sua carreira como handler e por quê parou?

JM – Iniciei minha carreira como handler profissional , na Sociedade Paulista Cães Pastores Alemães.

Alguns anos depois passei para o Kennel Clube Paulista, entidade esta fundada em 1931, como handler de todas as raças.

Parei, quando encerramos as atividades da Escola, Pensão e Preparação de Cães para Exposições, Eve Jay Valley, construimos um canil modelo, em nossa chácara em Carapicuíba. Era um canil destinado à criação das raças , Boxer, Dobermann, e Fox Terrier de Pelo Liso.

C-BR – Quais foram os profissionais que participaram do seu aprendizado como handler e quais profissionais destacaria na nossa atual cinofilia Brasileira e Mundial?

JM – Com referência ao meu aprendizado, ele foi todo feito nos Estados Unidos, e, não poderia ter sido no Brasil, pois Eu fui um dos pioneiros nesta profissão em nosso País. Citarei apenas alguns nomes, entre tantos: Jane e Robert Forsyth, Bárbara Humphries, Eleonora Linderholm, Frank Sabella. Quanto aos Terriers em especial, posso citar Miss L.G. Beak, titular do Canil Newmaidley, criadora das Raças Fox Terrier P/ Duro E Fox Terrier P/ Liso. Mary Swash, handler do famosíssimo Canil Jokyl da Raça Airedale. Tony Giles criador da Raça Fox Terrier Pelo Liso, criador do fantástico Buddy (Ch.Am.Br.Int. Proud Fox Somebuddy ), que consta até hoje em vários Pedigrées Americanos. Cão este com o qual iniciamos nossa criação da Raça Fox Terrier P/ Liso. Buddy foi ganhador do Ranking de todas as Raças no Ano de 1986. Deixo de destacar Handlers Brasileiros e Internacionais, para não cometer nenhuma injustiça, omitindo alguns nomes importantes.

C-BR – Na qualidade de criador, como poderia elencar os principais pontos que todo criador deveria ter como principal objetivo quando se está realmente fazendo um trabalho criacional?

JM – Em minha opinião, existem dois tipos de criadores: os que criam para a melhoria das raças, e, o outro tipo de criador, é o que cria simplesmente visando o lucro.

C-BR – Qual a importância do pedigree e no que isso ajuda em um sistema de criação? Como conseguir o melhor resultado a partir de uma leitura de um simples pedigree?

JM – É Fundamental a importância do pedigree; conhecer muito bem as diversas linhagens , e ter algum conhecimento de genética; a fim de saber qual a melhor opção, dentro de seu programa de criação.

C-BR – Quais perspectivas para o seu futuro na cinofilia?

JM – Continuar julgando , criando e expondo.

C-BR – Como criador e importador de grandes cães, qual a importância em se trazer cães de fora e no que isso ajuda no processo de criação?

JM – É de grande importância a importação de excelentes matrizes e padreadores, para a consolidação do seu programa de criação.

C-BR – Teria algum sonho em cinofilia? Já pensou em fazer um livro? Se sim, esse livro seria sobre que assunto cinófilo? Poderia compartilhar conosco esse seu sonho?

JM – Continuar participando da Cinofilía ativamente, pois esta é uma oportunidade de estar com os amigos.

C-BR – Como você vê a nossa legislação Brasileira em relação à cinofilia e aos acontecimentos que vêm ocorrendo em relação a ataques de cães contra pessoas?

JM – A posse responsável , seria de primordial importância, para que não mais acontecessem incidentes , entre pessoas e cães. A posse responsável, Lei Cunha Bueno, PLC 41/2000, está a um passo de sua votação no Senado.

C-BR – Como você vê a importância de um Kennel Clube para com a sociedade e cidade de uma determinada região? Falo isso porque percebo muitas pessoas desinformados e malpreparadas para lidar com diversas raças caninas.

JM – Os Kenneis Clubes, são de vital importância para com a Sociedade e as Cidades.

Cinofilia também é cultura.

C-BR – Na qualidade de criador, você é a favor da castração e da eutanásia como forma de controle criacional e também como controle de possíveis problemas genéticos existentes em várias raças?

JM – Totalmente contra.

C-BR – Como reduzir cruzamentos indiscriminados? Como reduzir os cães de raça sem pedigree e fazer com que a população tenha mais animais de raça pura? Poderia dar sua opinião a respeito deste tema?

JM – Isto é uma questão de tradição e cultura. Seria uma obrigação dos Clubes divulgar os cães de Raça Pura.

 

C-BR – Aqui no Nordeste sempre vejo cães de rua. Isso é preocupante ainda mais quando falamos de saúde. Como fazer tal controle?

JM – Volto a repetir isto é um problema de cultura.

C-BR – Queremos agradecer seus comentários e por sua entrevista, Obrigado.

JM – Sou eu quem agradece seu interesse, pela minha história Cinófila, a qual estou intimamente ligado, há muitos anos, com todo o entusiasmo.